13 de junho de 2010

Carlos Zéfiro – O fim de 30 anos de mistério

Uma reportagem publicada em PLAYBOY, em nov/91, pôs fim a um mistério de trinta anos. Carlos Zéfiro, pseudônimo do autor dos lendários quadrinhos eróticos que viraram febre entre a molecada com hormônios em ebulição dos anos 1960, foi objeto de estudo de vários profissionais que buscavam sua verdadeira identidade. Mas foi Juca Kfouri, então Diretor de Redação da PLAYBOY e profundo admirador de Zéfiro, que entrou numa empreitada a fim de revelar quem era o verdadeiro homem por trás do pseudônimo intrigante – e de talento indiscutível. Pois conseguiu o que queria. A partir daquela edição, todos tomaram conhecimento que Alcides Caminha, funcionário público e também compositor, foi responsável pela iniciação sexual de muita gente.

A venda de seus catecismos – como eram chamadas as revistinhas de Zéfiro – era, obviamente, feita de modo clandestino, sendo, assim, muito mais saboroso ao jovem transgressor, como tudo que é feito escondido. Por isso, considerá-lo culpado pelas fantasias juvenis ou não de muitos brasileiros não é exagero. Mas para chegar até ele não foi fácil. Até um falso Carlos Zéfiro apareceu dizendo-se preparado para vir a público. Em conversa com antigos editores de Zéfiro, Kfouri seguiu pistas e conseguiu declarações até chegar a Alcides Caminha, um senhor muito simples de 70 anos. O motivo do anonimato, segundo ele, era a lei 1 711, na qual ameaçava suspender a aposentadoria de funcionários públicos envolvidos em escândalos. Ele dependia dela.
Essa reportagem-homenagem teve um papel importante sobre nossa cultura, pois, no ano seguinte, em 1992, Alcides Caminha morreu, em tempo de receber um pouco do reconhecimento que merecia – não em questões financeiras, já que morreu pobre, recebendo quantias pífias de direitos autorais. Mais tarde, em 1995, foi homenageado por mais uma de suas admiradoras, a cantora Marisa Monte, que usou alguns de seus desenhos em todo o projeto gráfico do disco Barulhinho Bom. Em 1999, ela e Kfouri apadrinharam a Lona Cultural Carlos Zéfiro, fundada em Anchieta, Rio de Janeiro, onde residia. Portanto, essa é uma das mais representativas reportagens da revista, que apresentou vida e obra deste artista marginalizado.

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