15 de setembro de 2014

Ao natural

Ao mesmo tempo em que os anos 80 são a síntese do exagero estético, nas roupas, na maquiagem, há um contraponto interessante, que é a valorização da naturalidade, e essa "dualidade" fica bem evidente no material produzido pela Playboy nessa década.

Exemplificando: assim como tinha mulheres ultraproduzidas como Rosemary e Maria Zilda, com cabelos armados de laquê e maquiagem carregada, tinha também as de "cara lavada", de cabelo molhado, ultranaturais, como Luciana Vendramini e Isadora Ribeiro.

O que me motivou a ~refletir~ sobre isso foi a capa do superpôster abaixo, com Isadora Ribeiro, de 1988. Gostaria muito que Playboy resgatasse essa estética em uma de suas próximas produções, com a estrela com um visual bem clean, maquiagem "nada", produção de moda simplória. Algo mais verdadeiro. 



Nada contra as produções elaboradas, muito pelo contrário, mas não é lindo ver uma mulher nua assim, sem artifícios, só com o vento dando movimento aos cabelos?

13 de setembro de 2014

Capa de outubro: Fernanda Lacerda, a Mendigata

Mendigata em uma produção misteriosa: despertou a desconfiança dos leitores de Playboy


Tudo começou com a foto acima, postada por Fernanda Lacerda, a intérprete da Mendigata, no Pânico, em seu Instagram, há uma semana. Na legenda, ela escreveu que estava em meio a um ensaio foda, mas que não podia dizer aos seus seguidores, e prometeu que todos vão amar. Isso, somado ao roupão suspeito que veste, chamou a atenção dos leitores de Playboy.

Depois de alguns dias, surgiu a nota de Leonardo Ferreira, afirmando que ela é a capa de outubro. Leo Dias também noticiou a mesma informação, mas levantou a possibilidade de Fernanda, ou, melhor, a Mendigata, ser adiada pra algum outro mês, pelo fato de ter sido capa de janeiro deste ano - com as Belas da Praia, lembram?

A Mendigata, indagada, negou. A revista não se pronunciou. O motivo é óbvio: não querem tirar o foco da edição de setembro, que sequer foi lançada. Mas já não dá mais pra tapar o sol com a peneira, e a personagem realmente vem aí!

Quando vi a Mendigata no Pânico ela primeira vez, a primeira coisa que pensei é que ela deveria aparecer em Playboy. Fiquei impressionado com o seu corpo per-fei-to. E o visual exótico, com os dreadlocks, me fez enxergar uma capa bem interessante, com toque de ineditismo que a gente adora. Mas caí pra trás eu descobrir que ela era uma das integrantes da edição de janeiro. Em momento algum fiz essa associação, devido a extreme makeover que ela sofreu de lá pra cá. 

De qualquer forma, acho que Playboy tomou uma boa decisão. O Pânico já não tem a mesma força de outrora, mas ainda é uma fábrica de musas pop. E a Mendigata vem ganhando espaço, e se mostrando uma garota inteligente, articulada. Pode crescer bastante ainda.



Vai ter quem vai dizer que os cabelos são nojentos, que a nudez não é inédita, e por isso não vale capa... Argumentos válidos. Agora, discordar que ela seja bonita e gostosa, fica difícil



Fotos: Reprodução/Revista Exemplo.

11 de setembro de 2014

A capa de setembro, com Natalia Inoue

Natália Inoue em sua tão sonhada e esperada capa: a primeira estrela com descendência 100% japonesa da história da Playboy (só pra lembrar, Sabrina Sato é mestiça)



Vou começar já pedindo desculpas pelo delay! Vocês sabem, nem sempre dá pra comentar sobre as capas assim que saem, ainda mais por ter sido divulgada inesperadamente, antes do previsto.

A primeira coisa que tenho pra dizer sobre a capa de Natalia Inoue é: gostei! Bati os olhos nela e achei bonita, elegante. É capa de bundinha, sem calcinha, mas está classuda, fina. O tema aparece de uma forma suave, achei bem interessante. Mas há ressalvas.

Não gosto do enquadramento. Me incomoda bastante o espaço acima da cabeça de Natália. Eu não consigo abrir minha cabeça quanto a isso, gosto que a estrela preencha da melhor forma a capa. Da forma que está, me dá a impressão de achatamento. A fonte do nome também ficou esquisita. Tudo bem fazer uso de uma que remeta à caligrafia japonesa, mas e esse L que corta o sobrenome e induz a uma outra leitura, errônea? Pra quê?

Sobre Natalia, especificamente, acho que ela está uma gata. Corpão em dia, expressão delicada, cabelão lindo, tattoos aumentando o seu exotismo. Acho que a galera tinha muito receio que ela viesse do jeito que é vista em fotos antigas, mega marombada, de maquiagem pesada, roupas de periguete. Na capa da Playboy, ela está indiscutivelmente mais refinada, digna de representar a beleza oriental. Agora é esperar pelo ensaio, que, ao contrário do que muitos estão pensando, não foi feito há mais de ano, é recente - foi feito em maio.

Não sei se em algum momento vocês desviaram os olhos de Natalia, mas no código de barras há o novo preço de Playboy: R$14,00. Todo aumento é péssimo, claro, mas até que a revista permaneceu um bom tempo com seu valor congelado. Quanto aos atrativos da edição além de Natalia, nada expressivo. Mas achei uma boa a escolha de Romero Britto para o entrevistão. O cara é metralhado pela crítica, tô curioso pra saber o que ele tem a dizer sobre isso. No mais, acelera, redação, e manda essa edição logo pra gráfica!

7 de setembro de 2014

Tira, tira!

Lembram das capas de Cláudia Rey, Angelina Muniz, em que faziam um strip-tease? A Playboy África do Sul, em sua mais recente edição, apostou nisso, colocando a playmate do ano, num primeiro momento, totalmente vestida de coelhinha e, em seguida, se livrando da indumentária, mostrando os seios.

Só não sei responder se esses dois momentos são apresentados em uma capa desdobrável ou em capas sobrepostas - acredito que sobrepostas. Mas é algo legal e que a gente adora, né? Sinto falta dessas pequenas peculiaridades, até mesmo as que envolvem publicidade - o caso de Daniella Cecconello é o primeiro que me vem à cabeça.

O impedimento pra esse tipo de coisa ser vista atualmente é que uma capa assim precisa ser planejada. E nós sabemos o quanto a Playboy adora fotos que são fruto do acaso, né? Fica a dica para o próximo ano, em que a revista comemorará 40 anos. Será uma boa oportunidade de resgatar algumas coisas marcantes já usadas no passado, como rolou em 2005, com a volta dos coelhinhos escondidos. 


Além de a capa ter que ser planejada, a estrela tem que ser gata, caso contrário, ao invés de dizermos "tira, tira!", corremos o risco de soltarmos um "põe, põe!"

6 de setembro de 2014

Natália Inoue está chegando

Segurem esse forninho: a edição de setembro da Playboy, com Natália Inoue, chegará às bancas dia 16, segundo informações. O atraso é consequência do que aconteceu em agosto, já que não querem que a edição de aniversário seja prejudicada com menos tempo em banca. 

Risos, porque em minha cidade a edição sequer chegou e o flop estratosférico é certo. Dizem que a intenção é normalizar a data de lançamento para o início do mês, como sempre foi. Aguardemos pra ver como vão dar um jeito nessa lambança.

Enquanto isso, já começam a pipocar as primeiras fotos de backstage de Natália Inoue e uma de sua visita à redação, e, com elas, mais informações sobre o ensaio. Como eu já havia adiantado, o tema do ensaio é Japão e foi fotografado por Fred Othero. Agora sabemos que o bairro japonês da Liberdade, em São Paulo, foi usado como locação. Curiosíssimo pra conferir o resultado.



Ainda não dá pra ter ideia do ensaio, mas os ingredientes são interessantes e totalmente inéditos na revista. Torcendo muito pra ter externas. Estão dizendo que o resultado está lindo


Fotos: Divulgação.

Da série: curiosidades

Lucas Oliveira, autor do blog Clube da VIP, me enviou duas imagens curiosas, que eu não conhecia, pra compartilhar com vocês. A primeira é da capa da Interviú, revista espanhola de gosto duvidoso, com a ex-miss Joseane Oliveira, capa da Playboy em março de 2003, com foto do ensaio.

Aliás, sempre quis entender como funciona a publicação de uma foto de Playboy em uma outra revista também de cunho erótico. Já vi foto dos ensaios de Maitê Proença, Sônia Braga e Luiza Tomé na Penthouse, por exemplo. Isso me cheira a clandestinidade.

A outra foto é o que parece ser um flagra de backstage do ensaio de Adriane Galisteu para a edição de agosto de 2011. Faço essa avaliação porque a foto soa amadora, sem qualidade fotográfica. De qualquer forma, é uma foto curiosa pra se ter junto aos arquivos de Playboy.



Na chamada: "Na capa, Joseane Oliveira, a miss que escandalizou o Brasil". Não conheço o histórico dessa revista, mas tenho a impressão que não foi a primeira a ter seu ensaio chupinhado


A pergunta que não quer calar diante desta foto é: cadê as inéditas da Galisteu que garantiram ter sido reservadas para publicação em uma edição especial? CADÊ?



Fotos: Reprodução.
Obrigado, Lucas!

31 de agosto de 2014

Outtakes de Aline Prado

Os leitores Paulo Ribeiro e Marlon Silveira me provaram aquilo que eu já desconfiava: o ensaio da ex-Globeleza Aline Prado, nossa capa de fevereiro, foi muito mal editado. Eles me enviaram outtakes ótimas by Autumn Sonnichsen que não tiveram a chance de brilhar na edição.

Tirando o momento em que ela aparece com folhas de ouro sobre o corpo, mais posado, que apareceu bem na edição, os outros cliques são mais dramáticos, com composição de cena mais rebuscada, coisa que praticamente não se vê no ensaio - apenas uma foto discreta em que ela samba junto aos ritmistas compõe a matéria. 

Particularmente, minha preferida é a que Aline está no que parece ser uma praça. Perfeita e desbanca uma porção de fotos selecionadas. A primeira que aparece neste post também é excelente, mas as crianças na grade sinalizam uma possibilidade de polêmica desnecessária, apesar de esteticamente bela. Mas isso é só uma amostra. Infelizmente, muitas vezes o que nos é apresentado não representa a qualidade do material produzido por conta de uma edição desequilibrada.


Ótimas, né? Triste pensar que o ensaio poderia ser muito mais bonito, expressivo, equilibrado



Fotos: Autumn Sonnichsen/Playboy.

Redefinindo o conceito de flop

Amanda e seus cabelos ruivos: Playboy completamente no vermelho


Se a situação já não era das melhores, agora se mostrou calamitosa: a edição de maio deste ano, que trouxe a ex-BBB Amanda na capa, é a menos vendida desde que a revista começou a ser auditada, ficando, pela primeira vez, abaixo dos 100 mil exemplares vendidos. Conforme foi publicado no site Publiabril, os dados sobre a edição são os seguintes:



Tiragem: 139.512
Assinaturas: 71.832
Avulsas: 27.511
Circulação líquida: 99.343
Fonte: IVC Maio/2014

De acabar com todas as esperanças. A revista está redefinindo o conceito de fracasso comercial. O que há pouco tempo dizíamos ser uma quantidade irrisória de exemplares vendidos, hoje representa a tiragem total de uma edição. E que não venham com papo de internet, a perda de espaço da mídia física em relação à digital, que há 4 anos Playboy vendeu mais de 400 mil exemplares em um único mês. Tudo isso é reflexo, já disse inúmeras vezes, de quanto o leitor foi desrespeitado nas últimas gestões. O resultado é esse aí, a revista rolando ladeira abaixo.
Pra quem acompanha de perto, é nítido o quanto a revista anda sendo negligenciada. Este mês, por exemplo, enfrentamos um grave problema de acesso à edição de aniversário. Pra começar, um atraso monstro no fechamento da edição, e mais atraso - inacreditável - para chegar às bancas e casas dos assinantes. Na minha cidade a edição de agosto não chegou. Cheguei a perguntar o motivo ao jornaleiro, que me disse ter sido um problema causado pela mudança da empresa distribuidora. Sem dizer que muitos assinantes sequer receberam ainda. Tudo tem limite e é por isso que estão cada vez mais abandonando o barco.
Isso explica a queda brusca do número de assinantes de abril para maio. Ao total, são mais de 7 mil assinantes a menos. Não é brincadeira. É de cair o queixo, mas era uma tragédia anunciada. 

6 anos de Revista que Amamos!

Quase que não me dou conta: ontem, 30/08, o Revista que Amamos completou 6 anos de existência! Nem eu acredito que fui capaz de permanecer esse tempo todo falando sobre a Playboy! 

Hoje, vejo que meu objetivo inicial foi alcançado: ter um arquivo bem completo que contempla um bom período de tempo, possibilitando que o leitor relembre e faça uma leitura da revista e suas decisões, compreendendo sua situação atual. Nesse sentido, o RQA "documentou" uma coleção de acontecimentos de todas as ordens, que eu considero uma contribuição relevante que inexiste em qualquer outra fonte.

São quase 2.500 postagens, visualizações na casa dos milhões e um público fiel que me acompanha desde o início, que percebeu o meu crescimento, o refinamento das minhas críticas e testemunhou todas as confusões em que já me meti. Agora, escrevo isso com um sorriso no rosto. Valeu muito a pena, mesmo que em alguns momentos eu tenha ficado desestimulado, chegando a sentenciar o final do blog - mas a saudade falou mais alto e eu voltei.

Neste momento, vivo uma situação complicada em relação à falta de tempo de cuidar do blog com mais carinho. Nos últimos meses, não consegui produzir mais que 10 postagens, me atendo mais às capas e resenhas dos ensaios, objetos de maior interesse de vocês. Análise da revista como um todo, infelizmente, ficou pra trás. Assim como os comentários a respeito de notas especulativas e afins. O Instagram é onde tenho conseguido falar sobre a revista de uma forma mais dinâmica, por isso, faço questão que sigam o RQA lá: @revistaqueamamos.

Evidente que penso no desapontamento de vocês ao acessar e dar de cara com as mesmas postagens, mas acredito que compreendem que minha vida não se resume a isso e outras coisas requerem minha atenção. Talvez uma hora minha situação melhore e eu volte a injetar conteúdo com mais afinco, talvez o estado em que a revista se encontra inviabilize isso, tudo pode acontecer. Mas, por ora, só tenho a agradecer pela companhia. Fico feliz em ser um blogueiro que não falou aos ventos. Obrigado mesmo!

18 de agosto de 2014

Jessika Alves: ela é um poema

A abertura do ensaio de Jessika Alves, a estrela dos 39 anos de Playboy


Se eu tiver que definir o ensaio de Jessika Alves por Autumn Sonnichsen em uma palavra, escolho "satisfatório". Como antevi, através do material de divulgação, as fotos não são brilhantes, espetaculares, como as edições de aniversário costumam apresentar. Isso, claro, do ponto de vista fotográfico, porque Jessika teve a nudez bem aproveitada - leia-se: mostrou o que tinha que mostrar -, e não há muito o que observar nesse sentido. E Jessika é lindinha, realmente está na contramão do padrão de corpo visto atualmente na revista, e esses dois pontos são suficientes ganhar os leitores.

Se ela mostrou seu corpo às claras, representa uma beleza que entrou em extinção da revista, do que eu estou reclamando, podem se perguntar. É que, em uma edição de aniversário, o olhar para a produção, para a fotografia, para a direção de cena é muito mais exigente, no meu caso. E, pra mim, esse ensaio de Jessika não passa de uma sucessão de fotos just ok, sem muita sensibilidade, que fazem alusão a uma penca de ensaios famosos e deixam a dever em qualidade e sofisticação. Não se diferencia dos outros meses, é só mais um ensaio comum.



Aqui, a doce expressão de Jessika foi ressaltada. Praticamente uma lolita


A produção de moda, por exemplo, é catastrófica. Acho que tinha tudo a ver apostar numa produção que reforce a delicadeza de Jessika, dialogando com o conceito lolita, assim como essa coisa voltada à década de 70, do movimento flower power e tal, mas não funcionou. A impressão que dá é que passaram a ideia pra produtora, que reuniu tudo o que podia de peças com essas características, e quiseram usar tudo. Não dá, ficou caricato. Tem que ter sensatez de usar uma coisa ou outra, só pra dar o tom da coisa. Que coisa horrorosa aquelas rendas em Jessika. E, pra piorar, em dado momento do ensaio, Jessika aparece de corpete (corset, espartilho?) e chicote. Tipo, oi???

Sobre o trabalho feito por Autumn Sonnichsen, continuo achando que ela tem muita dificuldade em assinar uma matéria que não tenha um espírito mais anárquico, de perversão, como os de Nana Gouvêa e Pietra Príncipe, por exemplo. Essa é a identidade fotográfica dela, e quando ela tenta se adequar ao briefing que é passado, que vai na contramão do seu estilo, como no ensaio de Jessika, a coisa fica limitada. E venho sentido a necessidade de a fotógrafa investir mais em iluminação, sua técnica precisa ser menos genérica. Suas matérias não têm aquela luz maravilhosa, que faz a mulher cintilar.



Uma dos momentos mais "poéticos" do ensaio, que representa muito mais a persona pretendida que qualquer rendinha ou florzinha no cabelo


Falando de momentos que mais me agradam no ensaio, gosto das externas em que Jessika está mais livre, em movimento, menos posada. Gosto da do balanço, da que ela aparece correndo e pulando. E das internas amo a da cortina (♥) e uma específica do pôster, em que ela está na cama, com a perna direta dobrada e a esquerda esticada. Senti muita falta de a coisa ter se desenvolvido mais nesse ambiente. Acho que as que ela está à mesa poderiam ser ótimas se ela não tivesse sido estragada por aquela produção de perua velha - nada lolita, né?

Minha avaliação final é que está distante de ser um ensaio que já nasce clássico. É bem lugar-comum. E, mesmo com simplicidade, sem a obrigatoriedade de ter carga dramática, poderia ter sido melhor planejado e executado. Porém, acho que o que deve ser mais valorizado é a beleza de Jessika. No final, é isso o que conta. Mas, como colecionador, gostaria que ela e nós tivéssemos sido presenteados com fotos espetaculares. Só são satisfatórias.


Imagens: Reprodução.